Educação

Oficina prepara alunos de escolas municipais para a 18ª Olimpíada Brasileira de Matemática

Por Redação em às | Foto: Divulgação

Alunos das Escolas Municipais Pituaçu e Adroaldo Ribeiro (Resgate) estão tendo a oportunidade de participar de uma oficina de preparação para a segunda etapa da 18ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). A iniciativa ocorre graças a uma parceria entre a Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Educação (SMED), e o Departamento de Matemática da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

A ação está sendo realizada pelo próprio coordenador regional da OBMEP, Roberto Sant’anna, que tem tirado as principais dúvidas dos estudantes classificados para a segunda fase e os orientando sobre a estrutura da prova e os assuntos mais cobrados.

A prova da segunda fase será aplicada neste sábado (7) em diferentes polos em Salvador. Ao todo, 973 alunos da rede municipal foram classificados para a segunda fase. O número é maior que os 870 classificados para a segunda fase na edição do ano passado. Na Escola Municipal Pituaçu, 11 alunos do nível 1, que abrange o 6º e 7º ano do ensino fundamental, participaram da aula preparatória nesta quinta-feira (5). Roberto distribuiu uma prova da edição de 2021 para que eles solucionassem as questões, se preparando assim para a estrutura do exame, o formato das questões e os assuntos que fazem parte do conteúdo.

“A oficina foi planejada de acordo com a estrutura da prova da OBMEP. Em geral, temos percebido que, nas provas de nível 1 da segunda fase, a maior parte das questões envolvem raciocínio lógico, que não é necessariamente uma matéria disponibilizada na escola, mas é algo que temos dentro de nós e que pode ser despertado. Então, eu tenho focado nisso. Eu também fiz questão de apresentar para os alunos um pouco da estrutura da prova, que considero fundamental. Eu peguei provas de edições anteriores, distribuí para cada aluno para que eles conhecessem o formato e número de questões e a pontuação de cada questão”, conta Roberto.

Ele define o trabalho que tem realizado nas escolas municipais como gratificante. “É desafiador e cansativo, pois é uma atividade não remunerada, que fazemos por amor e porque acreditamos no potencial dos estudantes, mas ao mesmo tempo é muito recompensador. Na terça-feira, por exemplo, os alunos não quiseram parar para lanchar, pois estavam empenhados em concluir a resolução das questões. Perceber essa dedicação deles é fantástico. Eu detectei que em torno de 30% dos alunos reunidos nessas atividades formativas têm potencial para receber, pelo menos, uma menção honrosa. Eu torço pela medalha, espero que eles consigam. Quanto mais preparo eles tiverem, melhores serão os resultados”, diz.

Técnica pedagógica da equipe dos Anos Finais do Ensino Fundamental da SMED, Isabela Cavalcanti conta que desde o início do ano a equipe vem desenvolvendo algumas ações para potencializar a participação dos alunos na 18ª OBMEP. “Em maio, nós promovemos um encontro com os professores de matemática da rede municipal para falar sobre a OBMEP. Na ocasião, o coordenador da OBMEP apresentou um histórico do projeto, os resultados da rede em edições anteriores, as potencialidades que o portal da Olimpíada oferece, inclusive, para o trabalho do professor em sala de aula e os benefícios que tanto os professores como os alunos podem obter por meio da participação desse projeto desenvolvido pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA)”, afirma.

Além do encontro com os professores, Isabela destaca que com o trabalho de mobilização, a SEMD teve praticamente todas as escolas inscritas na primeira fase do projeto. E, para a segunda fase, a pasta promoveu as duas oficinas nas escolas de educação em tempo integral, voltadas para alunos do 6º e 7º ano. Na Escola Municipal Adroaldo Ribeiro, as oficinas ocorreram nos dias 28 de setembro e 3 e 5 deste mês de outubro no turno matutino e na Escola Municipal Pituaçu, o treinamento ocorreu nos dias 3 e 5 deste mês no turno vespertino.

Além disso, a equipe técnica pedagógica dos Anos Finais viabilizou a distribuição de kits-lanches para os alunos que farão a prova sábado e realizou um trabalho, junto com as escolas e Gerências Regionais, com o objetivo de demonstrar a importância de mobilização das famílias para estarem presentes nesse momento, incentivando os alunos a fazer a prova.

Classificados – Aluna do 6º ano, Penélope Mendes, de 14 anos, disse ter se sentido mais preparada para a prova após os dias de oficina. “Achei muito legal, porque o professor ensina muito bem, explica de maneira que facilita nosso aprendizado. Hoje mesmo, ele mostrou como se faz um raciocínio lógico, deu a oportunidade de outras pessoas mostrarem como chegou ao resultado da questão. Em vez de ele só explicar e a gente ficar parado, ele deu uma prova da OBMEP de 2021 para a gente treinar”, opina.

Para Riquelme Silva, 12, a oficina é importante, pois ajuda os alunos a ter um melhor resultado na prova e a ter um futuro melhor. “É uma ação que ajuda no nosso currículo. Eu nunca gostei tanto de matemática, mas sempre me esforcei para aprender, porque é uma matéria muito complicada e quanto mais difícil para mim melhor. Eu gosto de desafios. Alguns alunos já comentaram que a prova não tinha valor e por isso não precisavam se empenhar, mas eu levei a sério, me esforcei e passei”, diz.

Quem também se prepara para fazer a prova no sábado é a multimedalhista Isamara Silva, de 15 anos. Aluna do 9º ano na Escola Municipal Visconde de Cairu, Isamara já conquistou uma medalha de bronze na edição de 2022, cuja premiação ocorreu este ano; e uma medalha de prata na edição de 2021, além de premiações em outros concursos e projetos.

“O resultado foi bem legal, eu fiquei muito feliz. Eu conheci a OBMEP através do meu irmão, Isamar, que também foi medalhista. Então eu fiz a prova pela primeira vez e não esperava ganhar medalha, mas ganhei. Aí fui fazendo nos anos seguintes e estou aí fazendo. Eu amo a matemática e tive a oportunidade de contar com o apoio, nos anos anteriores, do professor de matemática daqui da escola, Cristiano Bahia”, conta.

Para quem busca também conquistar uma medalha, Isamara dá algumas dicas. “É uma prova que exige um pouco de conhecimento em alguns assuntos, mas não é difícil. Com um pouco de esforço dá para se classificar e ganhar a medalha. Além disso, outra dica que eu dou para os colegas que querem tirar uma boa nota e ganhar medalha é resolver provas anteriores e simulados. Esta é a minha olimpíada favorita e eu estou muito feliz em participar”, destacou.

A mãe, Maria das Candeias Silva, 49, se sente privilegiada com o interesse e dedicação da filha. “Eu fico muito orgulhosa em ver o amor dela pela Matemática. Ela gosta tanto que já desistiu de viajar para ficar estudando para a prova”, frisa.

Olimpíadas – A OBMEP é um projeto nacional dirigido às escolas públicas e privadas brasileiras, realizado pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), com o apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), e promovida com recursos do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Na Bahia, a OBMEP conta com a parceria da UFBA para a sua organização e realização. O projeto tem como objetivos principais o estímulo ao estudo da Matemática e a identificação de talentos na área.

A prova da segunda fase da OBMEP é composta de seis questões discursivas. Os alunos terão três horas para completar a prova. A organização da OBMEP recomenda que os estudantes cheguem com pelo menos 30 minutos de antecedência ao local de aplicação, apresentando um documento de identificação legível (carteira de identidade, certidão de nascimento ou carteira escolar). A prova pode ser feita a lápis ou à caneta esferográfica azul ou preta. Mais informações sobre a competição científica ou sobre a prova podem ser obtidas no site do projeto: obmep.org.br.

Os alunos que conquistarem medalhas nacionais serão convidados a participar do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC) que propicia, por meio de encontros presenciais ou virtuais, contato com interessantes questões no ramo da Matemática, ampliando o conhecimento científico e preparando o aluno para um futuro desempenho profissional e acadêmico. Os alunos de escolas públicas, além das aulas, recebem uma bolsa de incentivo de R$ 300 do CNPQ para participarem do programa.

Reportagem: Priscila Machado/ Secom

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