Centro de Reabilitação capacita mães atípicas em primeira turma de curso para Auxiliar de Desenvolvimento Infantil
Por Redação em às | Foto: Divulgação

O Centro Especializado de Reabilitação (CER) Barra certificou, nesta sexta-feira (20), a primeira turma do curso de Auxiliar de Desenvolvimento Infantil (ADI), em Salvador. A formação foi realizada na própria unidade, inaugurada pela Prefeitura de Salvador e administrada pelo Instituto Occasio.
Entre as participantes do curso, estão mães de crianças neurodivergentes atendidas na rede municipal de saúde. Ao todo, 61 mulheres e dois homens concluíram a formação, iniciada em janeiro, com uma carga horária de 180 horas.
O projeto marca a conclusão do primeiro ciclo da iniciativa, cuja proposta foi ampliar o conhecimento sobre o desenvolvimento infantil e oferecer capacitação para o cuidado com crianças atípicas, com autismo ou outros transtornos do neurodesenvolvimento.
Ao mesmo tempo em que fortalece o cuidado no ambiente familiar, ampliando a autonomia no dia a dia, a formação também buscou contribuir para a inserção dos participantes no mercado de trabalho.
O diretor-geral do CER Barra, Roberto Novaes, aponta os impactos para as famílias e para a formação profissional. “Essa formação dá ferramentas e instrumentos que as mães atípicas possam cuidar melhor de seus filhos. E, do ponto de vista técnico, capacita profissionais que já têm uma vinculação à área, para que tenham uma sensibilidade maior no cuidado com essas crianças”, afirma.
Novaes avalia positivamente os resultados alcançados e prevê a continuidade do projeto. “Essa é a primeira turma, mas já temos o projeto de abrir outras turmas logo, devido ao sucesso que foi o curso. Não foi somente uma entrega de conhecimento, mas a possibilidade de mudar vidas, com mudanças de conceitos e na estratégia de lidar com os transtornos”, diz.
A diretora de Avaliação e Expansão do Instituto Occasio, Edna Santos, explica que o curso surgiu a partir de uma demanda das próprias mães. “Esse curso foi pensado inicialmente para atender a um apelo das mães. Muitas abdicaram da sua vida profissional por conta da maternidade atípica. E aí, nos solicitaram alguma coisa que pudéssemos fazer por elas, para voltarem ao mercado de trabalho”, relata. Segundo ela, a expectativa é formar novas turmas já para o próximo semestre.
Para as participantes, a certificação representa também um avanço na rotina de cuidado. Mãe atípica, Cláudia Catrine, de 29 anos, ressalta a importância do curso para o seu dia a dia. “Acho esse curso muito importante, não só pela questão profissional, mas também para as mães atípicas. Eu digo para todo mundo que o curso não trouxe só uma profissionalização; tudo o que aprendi eu consegui adaptar para o meu filho dentro de casa. Foi um divisor de águas. Quando recebemos um diagnóstico de autismo, não vem um manual de como tratar ou cuidar da criança. O curso traz esse olhar”, aponta Cláudia.
Joyce Moreira Gonçalves, de 47 anos, também destaca o aprendizado adquirido durante a formação. “Eu fiquei sabendo do curso através de uma colega, que me falou dessa oportunidade para trabalhar com crianças atípicas. Acho muito importante, porque a cada dia temos mais crianças que precisam de pessoas capacitadas. Hoje me sinto mais preparada para lidar com essas crianças, que podem ser incluídas em qualquer ambiente, desde que existam pessoas que saibam lidar com elas dentro das suas condições. São crianças que não precisam ser limitadas, apenas cuidadas de uma forma diferente”, afirma Joyce.
